O que
é Vaginismo?
Popularmente, o vaginismo é conhecido por
ocasionar dificuldade ou impedimento da penetração vaginal durante o coito,
dificuldade ou impossibilidade da utilização de absorvente interno e, ainda,
esquiva ou dor intensa na realização de exames ginecológicos.
A frequência de dor (dispareunia) acompanhada pela
dificuldade de penetração levou a Associação
Americana de Psiquiatria (APA) a realizar a revisão do Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) renomeando a disfunção sexual como Transtorno
da Dor Gênito-Pélvica/ Penetração.
Imagem: shemazing.net
Quais
são os critérios diagnósticos do Vaginismo/Transtorno da Dor
Gênito-pélvica/Penetração?
A característica essencial do Vaginismo, de
acordo com o DSM, é a contração involuntária recorrente ou persistente, dos
músculos do perínio adjacentes ao terço inferior da vagina, quando é tentada a
penetração vaginal do pênis, dedo, absorvente interno ou espéculo (exame
ginecológico). A tentativa de forçar a penetração durante a contração
involuntária dessa região pode ocasionar dor vulvovaginal ou pélvica intensa
levando a paciente a apresentar medo ou ansiedade intensa de penetração.
É
possível a portadora do Vaginismo apresentar dificuldade de penetração somente
em uma situação e/ou parceiro?
Há pacientes que chegam no consultório
relatando a dificuldade de penetração após terem iniciado a sua vida sexual com
penetração vaginal sendo considerado Vaginismo Adquirido. Traumas durante o
exame ginecológico, por exemplo, podem desencadear um Vaginismo Situacional, ou
seja, a dificuldade ou impossibilidade de penetração está presente somente
durante a tentativa de realização do exame ginecológico.
Como é
realizado o diagnóstico do Vaginismo/Transtorno da Dor
Gênito-pélvica/Penetração?
O diagnóstico do Vaginismo é multiprofissional:
Psicólogo e Ginecologista especializados em Sexologia. Trabalhando
conjuntamente, os profissionais poderão avaliar os aspectos orgânicos,
emocionais e psicológicos que podem estar desencadeando a dificuldade ou a impossibilidade de penetração e propor o tratamento mais adequado.
Como é
feito o tratamento do Vaginismo/Transtorno da Dor Gênito-pélvica/Penetração?
O médico Ginecologista especializado em
Sexologia poderá propor a paciente treinos comportamentais, que tem como objetivo
trabalhar com o relaxamento da musculatura pélvica e posteriormente conseguir
realizar o exame ginecológico. Por ser especializado na área de sexologia, o
profissional, também, poderá auxiliar no restabelecimento do funcionamento do
ciclo da resposta sexual auxiliando no tratamento de outras possíveis
disfunções/transtornos sexuais presentes.
O Fisioterapeuta pélvico, que também se dedica
ao tratamento dos transtornos sexuais, trabalhará através de aparelhagens o
relaxamento da musculatura pélvica realizando uma ponte no tratamento entre a
paciente e o médico ginecologista.
O Psicólogo especializado em Sexologia
trabalhará com a paciente integrando o trabalho do médico ginecologista e do
fisioterapeuta pélvico, desde a preparação da chegada da paciente a esses
profissionais. O psicólogo especializado em sexologia saberá fazer a avaliação
dos fatores orgânicos presentes na queixa através de uma entrevista detalhada,
mas a ênfase do tratamento será nos fatores emocionais e psicológicos que afetam
a parte orgânica. Por ser especializado na área de sexualidade humana,
o profissional trabalhará visando o restabelecimento do ciclo da resposta
sexual e com outras possíveis disfunções/transtornos sexuais
presentes.
Toda
portadora de Vaginismo/Transtorno da Dor Gênito-pélvica/Penetração apresenta histórico de abuso sexual?
Até o momento, a estatística apresentada pelos
principais centros de referência no tratamento dos transtornos sexuais
femininos apontam que são múltiplos os fatores que
podem desencadear o vaginismo ao longo da vida ou adquirido.
Qual o
tempo de tratamento para o Transtorno de causa Psicogênica?
É impossível o profissional trazer com precisão
o tempo de tratamento quando existem fatores emocionais e psicológicos
envolvidos na base da queixa. Entretanto, para as pacientes, que têm uma boa
adesão ao tratamento proposto pelos profissionais podemos pensar em uma
variação de tempo de mais ou menos 10 meses.
Fonte:
DSM-IV. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais DSM-IV. Porto Alegre: 2000.
DSM-5. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5. Porto Alegre: 2014.
Me. Ana Larissa Marques Perissini
Psicóloga & Terapeuta Sexual: CRP 06/71000
Coordenadora do LabSex: Laboratório de Estudo e Pesquisa em Sexologia.
Aprimoramento em Psicologia da Saúde - Especialista em Psicologia
Hospitalar - Especialista em Terapia
Cognitivo-Comportamental – Especialista em
Psicologia da Saúde – Especialista em Sexualidade: Terapia Sexual e
Educação – Capacitação em Terapia Cognitiva Sexual - Mestre em Ciências:
ênfase em sexologia e Reprodução Humana Assistida.
Contato:
Fone: (17) 3305.4778
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