terça-feira, 6 de agosto de 2019

VAGINISMO/TRANSTORNO DA DOR GÊNITO-PÉLVICA/PENETRAÇÃO


O que é Vaginismo?
Popularmente, o vaginismo é conhecido por ocasionar dificuldade ou impedimento da penetração vaginal durante o coito, dificuldade ou impossibilidade da utilização de absorvente interno e, ainda, esquiva ou dor intensa na realização de exames ginecológicos.
A frequência de dor (dispareunia) acompanhada pela dificuldade de penetração levou a Associação Americana de Psiquiatria (APA) a realizar a revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) renomeando a disfunção sexual como Transtorno da Dor Gênito-Pélvica/ Penetração.


Imagem: shemazing.net

Quais são os critérios diagnósticos do Vaginismo/Transtorno da Dor Gênito-pélvica/Penetração?
A característica essencial do Vaginismo, de acordo com o DSM, é a contração involuntária recorrente ou persistente, dos músculos do perínio adjacentes ao terço inferior da vagina, quando é tentada a penetração vaginal do pênis, dedo, absorvente interno ou espéculo (exame ginecológico). A tentativa de forçar a penetração durante a contração involuntária dessa região pode ocasionar dor vulvovaginal ou pélvica intensa levando a paciente a apresentar medo ou ansiedade intensa de penetração.

É possível a portadora do Vaginismo apresentar dificuldade de penetração somente em uma situação e/ou parceiro?
Há pacientes que chegam no consultório relatando a dificuldade de penetração após terem iniciado a sua vida sexual com penetração vaginal sendo considerado Vaginismo Adquirido. Traumas durante o exame ginecológico, por exemplo, podem desencadear um Vaginismo Situacional, ou seja, a dificuldade ou impossibilidade de penetração está presente somente durante a tentativa de realização do exame ginecológico.

Como é realizado o diagnóstico do Vaginismo/Transtorno da Dor Gênito-pélvica/Penetração?
O diagnóstico do Vaginismo é multiprofissional: Psicólogo e Ginecologista especializados em Sexologia. Trabalhando conjuntamente, os profissionais poderão avaliar os aspectos orgânicos, emocionais e psicológicos que podem estar desencadeando a dificuldade ou a impossibilidade de penetração e propor o tratamento mais adequado.

Como é feito o tratamento do Vaginismo/Transtorno da Dor Gênito-pélvica/Penetração?
O médico Ginecologista especializado em Sexologia poderá propor a paciente treinos comportamentais, que tem como objetivo trabalhar com o relaxamento da musculatura pélvica e posteriormente conseguir realizar o exame ginecológico. Por ser especializado na área de sexologia, o profissional, também, poderá auxiliar no restabelecimento do funcionamento do ciclo da resposta sexual auxiliando no tratamento de outras possíveis disfunções/transtornos sexuais presentes.
O Fisioterapeuta pélvico, que também se dedica ao tratamento dos transtornos sexuais, trabalhará através de aparelhagens o relaxamento da musculatura pélvica realizando uma ponte no tratamento entre a paciente e o médico ginecologista.
O Psicólogo especializado em Sexologia trabalhará com a paciente integrando o trabalho do médico ginecologista e do fisioterapeuta pélvico, desde a preparação da chegada da paciente a esses profissionais. O psicólogo especializado em sexologia saberá fazer a avaliação dos fatores orgânicos presentes na queixa através de uma entrevista detalhada, mas a ênfase do tratamento será nos fatores emocionais e psicológicos que afetam a parte orgânica. Por ser especializado na área de sexualidade humana, o profissional trabalhará visando o restabelecimento do ciclo da resposta sexual e com outras possíveis disfunções/transtornos sexuais presentes.

Toda portadora de Vaginismo/Transtorno da Dor Gênito-pélvica/Penetração apresenta histórico de abuso sexual?
Até o momento, a estatística apresentada pelos principais centros de referência no tratamento dos transtornos sexuais femininos apontam que são múltiplos os fatores que podem desencadear o vaginismo ao longo da vida ou adquirido.

Qual o tempo de tratamento para o Transtorno de causa Psicogênica?
É impossível o profissional trazer com precisão o tempo de tratamento quando existem fatores emocionais e psicológicos envolvidos na base da queixa. Entretanto, para as pacientes, que têm uma boa adesão ao tratamento proposto pelos profissionais podemos pensar em uma variação de tempo de mais ou menos 10 meses.

Fonte:
DSM-IV. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais DSM-IV. Porto Alegre: 2000.
DSM-5. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5. Porto Alegre: 2014.


Me. Ana Larissa Marques Perissini
Psicóloga & Terapeuta Sexual: CRP 06/71000
Coordenadora do LabSex: Laboratório de Estudo e Pesquisa em Sexologia.
Aprimoramento em Psicologia da Saúde - Especialista em Psicologia Hospitalar  - Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental – Especialista em  Psicologia da Saúde – Especialista em Sexualidade: Terapia Sexual e Educação – Capacitação em Terapia Cognitiva Sexual - Mestre em Ciências: ênfase em sexologia e Reprodução Humana Assistida.

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