sexta-feira, 8 de maio de 2020

ATIVIDADE SEXUAL APÓS INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina apontou a necessidade da qualificação de profissionais de saúde para educar sexualmente pacientes após o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). 

O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma doença crônica não transmissível e constitui uma das primeiras causas de morte no mundo e no Brasil. É também a terceira maior causa de internações no País e representa o maior contingente de mortes da doença isquêmica do coração.

                                                   Imagem: www.healthline.com

Segundo o estudo, a ocorrência de um Infarto Agudo do Miocárdio causa mudanças consideráveis na vida do paciente que se defronta com desafios físicos e psicológicos. Dentre essas mudanças, destacam-se a redução da capacidade funcional, a limitação na participação social e o comprometimento da qualidade de vida, bem como a redução da atividade sexual. As principais disfunções observadas são: disfunção erétil, diminuição da libido e satisfação sexual. Associado a isso, os indivíduos sentem medo de sintomas como dispneia, fadiga, dor, palpitações e temem a ocorrência de novos eventos. Nesse aspecto, a sexualidade torna-se fator importante a ser considerado.

Para os autores, indivíduos com disfunção sexual frequentemente apresentam dúvidas e são influenciados pelos mitos populares, estabelecendo-se um círculo vicioso. Embora seja inquestionável a relação da satisfação sexual com a saúde e a qualidade de vida, as manifestações da sexualidade humana em sua maioria são desconsideradas por médicos e profissionais da saúde. Tal omissão é influenciada pelo fato de a temática, construída socio-historicamente, estar permeada por tabus e preconceitos, como mitos sobre o desempenho sexual após eventos cardíacos, favorecendo sentimentos de insegurança e medo.

Tabus e preconceitos também podem ser verificados nos próprios pacientes que muitas vezes se mostram relutantes em discutir os problemas sexuais, o que pode aumentar a ansiedade e levar à redução da atividade sexual. No entanto, dúvidas a respeito do tempo estimado de abstinência sexual, possíveis riscos para novos eventos, intensidade e frequência da atividade sexual são comuns e devem ser esclarecidos ainda durante a internação e na alta hospitalar, uma vez que grande parte dos pacientes pós-IAM demonstram interesse em manter a vida sexual ativa.

Os autores observaram que as orientações e prescrições na prática clínica em ambulatório visam a atender às necessidades imediatas dos pacientes, não considerando aspectos importantes e emergidos ao longo do tratamento, como o retorno à atividade sexual.

De acordo com os estudos apresentados, observa-se que a orientação sobre o retorno às atividades sexuais após um episódio de IAM parece não ser rotina entre todos os profissionais de saúde envolvidos com o paciente. Entretanto, o retorno às atividades sexuais após eventos cardíacos merece uma abordagem criteriosa, propiciando o retorno seguro dos pacientes à vida sexual e contribuindo para diminuir a elevada prevalência de disfunção sexual. Assim, da mesma forma que recebem informações, visando ao retorno ao trabalho e ao engajamento em programas de exercícios, torna-se relevante que os pacientes recebam orientações pertinentes à atividade sexual, uma vez que o agravo na atividade sexual é impactante na qualidade de vida desses pacientes.

Assim, é muito importante que os profissionais da saúde estejam capacitados a orientar os pacientes na retomada da atividade sexual após o Infarto Agudo do Miocárdio e como realizar tal atividade de forma segura. 

Fonte: Niehues J R, Gonzáles A I, Vieira D S R. Orientação para a atividade sexual após infarto agudo do miocárdio: estamos negligenciando? Int. Jour. Card. Sciec. 2016; 29(2):152-154.

LABSEX: Laboratório de Estudo e Pesquisa em Sexologia
Contato: (17)3305.4778 e (17)98801.0121 whats.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

VAGINISMO/TRANSTORNO DA DOR GÊNITO-PÉLVICA/PENETRAÇÃO


O que é Vaginismo?
Popularmente, o vaginismo é conhecido por ocasionar dificuldade ou impedimento da penetração vaginal durante o coito, dificuldade ou impossibilidade da utilização de absorvente interno e, ainda, esquiva ou dor intensa na realização de exames ginecológicos.
A frequência de dor (dispareunia) acompanhada pela dificuldade de penetração levou a Associação Americana de Psiquiatria (APA) a realizar a revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) renomeando a disfunção sexual como Transtorno da Dor Gênito-Pélvica/ Penetração.


Imagem: shemazing.net

Quais são os critérios diagnósticos do Vaginismo/Transtorno da Dor Gênito-pélvica/Penetração?
A característica essencial do Vaginismo, de acordo com o DSM, é a contração involuntária recorrente ou persistente, dos músculos do perínio adjacentes ao terço inferior da vagina, quando é tentada a penetração vaginal do pênis, dedo, absorvente interno ou espéculo (exame ginecológico). A tentativa de forçar a penetração durante a contração involuntária dessa região pode ocasionar dor vulvovaginal ou pélvica intensa levando a paciente a apresentar medo ou ansiedade intensa de penetração.

É possível a portadora do Vaginismo apresentar dificuldade de penetração somente em uma situação e/ou parceiro?
Há pacientes que chegam no consultório relatando a dificuldade de penetração após terem iniciado a sua vida sexual com penetração vaginal sendo considerado Vaginismo Adquirido. Traumas durante o exame ginecológico, por exemplo, podem desencadear um Vaginismo Situacional, ou seja, a dificuldade ou impossibilidade de penetração está presente somente durante a tentativa de realização do exame ginecológico.

Como é realizado o diagnóstico do Vaginismo/Transtorno da Dor Gênito-pélvica/Penetração?
O diagnóstico do Vaginismo é multiprofissional: Psicólogo e Ginecologista especializados em Sexologia. Trabalhando conjuntamente, os profissionais poderão avaliar os aspectos orgânicos, emocionais e psicológicos que podem estar desencadeando a dificuldade ou a impossibilidade de penetração e propor o tratamento mais adequado.

Como é feito o tratamento do Vaginismo/Transtorno da Dor Gênito-pélvica/Penetração?
O médico Ginecologista especializado em Sexologia poderá propor a paciente treinos comportamentais, que tem como objetivo trabalhar com o relaxamento da musculatura pélvica e posteriormente conseguir realizar o exame ginecológico. Por ser especializado na área de sexologia, o profissional, também, poderá auxiliar no restabelecimento do funcionamento do ciclo da resposta sexual auxiliando no tratamento de outras possíveis disfunções/transtornos sexuais presentes.
O Fisioterapeuta pélvico, que também se dedica ao tratamento dos transtornos sexuais, trabalhará através de aparelhagens o relaxamento da musculatura pélvica realizando uma ponte no tratamento entre a paciente e o médico ginecologista.
O Psicólogo especializado em Sexologia trabalhará com a paciente integrando o trabalho do médico ginecologista e do fisioterapeuta pélvico, desde a preparação da chegada da paciente a esses profissionais. O psicólogo especializado em sexologia saberá fazer a avaliação dos fatores orgânicos presentes na queixa através de uma entrevista detalhada, mas a ênfase do tratamento será nos fatores emocionais e psicológicos que afetam a parte orgânica. Por ser especializado na área de sexualidade humana, o profissional trabalhará visando o restabelecimento do ciclo da resposta sexual e com outras possíveis disfunções/transtornos sexuais presentes.

Toda portadora de Vaginismo/Transtorno da Dor Gênito-pélvica/Penetração apresenta histórico de abuso sexual?
Até o momento, a estatística apresentada pelos principais centros de referência no tratamento dos transtornos sexuais femininos apontam que são múltiplos os fatores que podem desencadear o vaginismo ao longo da vida ou adquirido.

Qual o tempo de tratamento para o Transtorno de causa Psicogênica?
É impossível o profissional trazer com precisão o tempo de tratamento quando existem fatores emocionais e psicológicos envolvidos na base da queixa. Entretanto, para as pacientes, que têm uma boa adesão ao tratamento proposto pelos profissionais podemos pensar em uma variação de tempo de mais ou menos 10 meses.

Fonte:
DSM-IV. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais DSM-IV. Porto Alegre: 2000.
DSM-5. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5. Porto Alegre: 2014.


Me. Ana Larissa Marques Perissini
Psicóloga & Terapeuta Sexual: CRP 06/71000
Coordenadora do LabSex: Laboratório de Estudo e Pesquisa em Sexologia.
Aprimoramento em Psicologia da Saúde - Especialista em Psicologia Hospitalar  - Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental – Especialista em  Psicologia da Saúde – Especialista em Sexualidade: Terapia Sexual e Educação – Capacitação em Terapia Cognitiva Sexual - Mestre em Ciências: ênfase em sexologia e Reprodução Humana Assistida.

Contato: 
Fone: (17) 3305.4778
Whatsapp (17) 98801.0121